Celebração ocorreu no auditório do órgão e contou com a presença de alunos de escola bilíngue (Libras e português), familiares e servidores

A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Volta Redonda realizou, nesta terça-feira (29), no auditório Professora Alba Rodrigues Rangel, no bairro Niterói, na sede da SME, o encontro “Setembro Surdo: identidade, Libras, cultura e inclusão”. O evento marcou as comemorações do Dia Nacional dos Surdos, que ocorreu no dia 26, e do Dia Internacional do Intérprete de Língua de Sinais, que é celebrado nesta quarta-feira (30), promovendo um espaço de diálogo e reflexão sobre a identidade surda, a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a cultura, a educação e a inclusão.

Participaram do encontro o secretário municipal de Educação, Osvaldir Denadai; a chefe do Departamento Pedagógico, Patrícia Vidal; a coordenadora da Seção de Educação Especial, Elizabeth Melo; alunos da Escola Municipal Professor Domingos Maia/Classe Bilingue e seus familiares; e também servidores da SME que atuam diretamente com essas pessoas, como os intérpretes de Libras Natália Maia e Isaque Moraes de Souza, profissionais do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines).

De acordo com a SME, a iniciativa busca fortalecer a valorização da Libras, da identidade e da cultura surda, além de promover a escuta e o diálogo entre famílias, profissionais e comunidade, reafirmando o compromisso da secretaria com uma educação acessível, bilíngue e inclusiva.

“A SME tem uma preocupação muito grande com a educação como um todo. Mas a questão da inclusão, em todos os sentidos, é especialmente relevante e está cada vez mais presente, para que possamos garantir a inclusão de todos os nossos alunos, com direitos sociais iguais. Hoje, estamos comemorando a data referente ao ‘Setembro Surdo’, que é mais uma oportunidade para todos nós conhecermos e valorizarmos os trabalhos realizados com tanta qualidade e dedicação pelos nossos servidores”, parabenizou o secretário Osvaldir Denadai.

Elizabeth Melo, coordenadora da Seção de Educação Especial, afirmou que o trabalho da SME tem como um dos seus objetivos conectar as pessoas surdas com o mundo, tendo a educação como uma das suas principais ferramentas.

“O ‘Setembro Surdo’ tem uma referência muito grande para as pessoas surdas no Brasil, e isso vem de uma história de luta, reconhecimento e valorização da comunidade surda. A nossa preocupação, enquanto SME, é valorizar não somente o trabalho que realizamos, mas, principalmente, dar a essas crianças, adolescentes e jovens visibilidade e condições para que possam superar as dificuldades encontradas dentro da escola, especialmente em relação à Libras. Nós ensinamos Libras, promovemos a comunicação e damos a esse aluno a oportunidade de se comunicar com este mundo que, para ele, é muito diferente.”, afirmou.

Escola Municipal Domingos Maia

Volta Redonda conta, dentro da sua rede municipal de ensino, com a Escola Municipal Domingos Maia. A unidade educacional, localizada no bairro São Geraldo, possui uma classe multisseriada, composta por alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, onde os conteúdos são ministrados em Libras e também de forma escrita na língua portuguesa. Elizabeth Melo explicou como é o funcionamento da unidade.

“Hoje nós temos, na Escola Municipal Domingos Maia, uma classe bilíngue. Ao mesmo tempo em que a pessoa surda está em um ambiente totalmente composto por pessoas nas mesmas condições que ela, onde vai praticar e aprender a questão da Libras, ela também está em uma escola onde há pessoas ouvintes e, assim, consegue fazer essa troca. Nesta escola, também ensinamos Libras para as crianças ouvintes, e a possibilidade de a pessoa surda aprender e se desenvolver é muito maior. Nós temos, ainda, uma sala de recursos específica para a pessoa surda, que vai ajudar a solidificar e fortalecer o seu aprendizado”, explicou a coordenadora.

A preocupação da secretaria em colaborar na socialização das pessoas com surdez vai além do estímulo da comunicação entre elas. Também visa viabilizar a melhor convivência entre elas e as suas famílias, como é o caso dos “alunos Coda”.

“São alunos ouvintes, filhos de pais surdos. Em alguns casos, eles podem ter menos oportunidades de acesso a determinadas informações e experiências por conta das barreiras de comunicação. Esses alunos aprendem Libras pela necessidade e, principalmente, pelo desejo de se comunicar com suas famílias, fortalecer esses vínculos e ampliar suas possibilidades de desenvolvimento.”, explicou Elizabeth Melo, que completou:

“Já os alunos Sodas são pessoas ouvintes que têm irmãos com surdez. Nós também colaboramos com elas, proporcionando o conhecimento da comunicação em Libras”, disse.

Reconhecimento das famílias

O autônomo Fabiano Gregório, pai de Maria Luiza Gregório, de 10 anos, que é aluna da Escola Municipal Domingos Maia, falou sobre o ensino da unidade. “Cada dia percebemos nela uma evolução, notamos o carinho dos professores e funcionários da escola neste trabalho de inclusão com ela, que é totalmente diferente de outra escola que ela já estudou, e é um trabalho muito importante, porque estou claramente vendo a evolução que ela está tendo no desenvolvimento da Libras e só tenho a agradecer à Escola Domingos Maia pela forma como abraçou ela”, agradeceu o pai.

Fabiano ainda contou que a irmã mais nova de Maria Luiza, que se chama Maria Julia, já está aprendendo Libras e colaborando no desenvolvimento da irmã. “Tínhamos muito medo sobre como seria a vida de uma criança surda no mundo. A irmã dela veio como um presente, entrou como inclusão na mesma sala de aula de classe bilíngue, está desenvolvendo a Libras muito bem, as duas se comunicam bem. A Maria Julia, se continuar da forma como está, será uma excelente intérprete”, contou o autônomo.

Volta Redonda é referência no atendimento às pessoas com deficiência

De acordo com a SME, o município de Volta Redonda é destaque na região Sul Fluminense por desenvolver políticas de inclusão social em prol das pessoas com deficiências, dentre elas, as surdas.

“Hoje Volta Redonda é referência, porque é um dos únicos municípios que tem, no seu grupo de profissionais, servidores intérpretes concursados para atender esses alunos dentro da sala de aula, interpretando as aulas, relações com outras pessoas sem deficiência e provando que este aluno tem seus direitos e que nós conseguimos dar a eles esta oportunidade”, disse Elizabeth Melo.

O prefeito Antonio Francisco Neto parabenizou o trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação em prol das pessoas surdas.

“Já está mais do que provado que Volta Redonda é a cidade da inclusão. A SME vem realizando um trabalho espetacular junto às pessoas surdas, e não podemos deixar de destacar também a forma carinhosa e dedicada com que os servidores da Escola Municipal Especializada Dr. Hilton Rocha realizam seu trabalho com as pessoas cegas e com deficiência visual. Também temos o Semeia (Sítio-Escola Municipal Espaço Integrado do Autista Thereza Chicarino) e a Escola Dayse Mansur, que desenvolvem um trabalho muito importante em prol do desenvolvimento dos alunos com autismo, além de todos os cursos, formações e ações voltadas para a inserção social”, lembrou Neto, também destacando práticas realizadas por outras secretarias de governo, como as da Pessoa com Deficiência (SMPD) e de Esporte e Lazer (Smel), que promovem a inclusão das pessoas com outras deficiências.

“Não podemos deixar de reconhecer, ainda, todo o trabalho realizado pela SMPD e pela Smel em benefício dessas pessoas. Estão todos de parabéns! E seguimos juntos, trabalhando para construir um município cada vez mais inclusivo”, garantiu Neto.

Fotos: Cris Oliveira – Secom/PMVR.

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