
José Carlos Duarte da Silva, de 59 anos, passou anos enfrentando dificuldades nas ruas e hoje integra a equipe da secretaria, onde trabalha há três meses
A história de José Carlos Duarte da Silva, de 59 anos, é um exemplo de que acolhimento, oportunidade e perseverança podem transformar vidas. Natural do Rio de Janeiro, ele chegou a Volta Redonda em 2013 em busca de um recomeço. Depois de enfrentar perdas familiares, dificuldades financeiras e períodos vivendo nas ruas, encontrou na rede socioassistencial do município o apoio necessário para reconstruir sua trajetória.
Hoje, José Carlos trabalha na Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), onde está há três meses, e é responsável pela limpeza e conservação dos jardins da secretaria. Além do emprego, voltou a fazer planos para o futuro e se prepara para conquistar sua moradia própria. Atualmente, reside na Casa de Passagem, equipamento da assistência social destinado ao acolhimento temporário de pessoas em situação de vulnerabilidade.
A relação de José Carlos com Volta Redonda começou ainda na adolescência, quando costumava visitar a cidade com amigos para assistir aos jogos no Estádio da Cidadania Raulino de Oliveira. Anos mais tarde, decidiu deixar o Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades e escolheu Volta Redonda para recomeçar sua vida.
“Minha vida estava muito complicada. Eu já tinha conhecido um pouco da realidade da rua. Volta Redonda me acolheu muito bem. Fiz amizades, conheci pessoas que me ajudaram e fui construindo minha história de trabalho aqui”, relembra.
Ao longo dos anos, José Carlos passou por momentos de estabilidade, mas também enfrentou novos desafios. Após perder a moradia onde vivia, voltou a ficar em situação de rua por quase três anos.
“Chegou um momento em que eu já estava sem esperança. É muito difícil conseguir emprego, uma recolocação no trabalho quando você passa pela rua. Eu não sabia mais o que fazer”, conta.
Foi nesse período que a equipe da assistência social realizou a abordagem e o encaminhou para a Casa de Passagem. O acolhimento marcou o início de uma nova fase.
“Quando você sai da rua e vai para um lugar como a Casa de Passagem, você recupera sua dignidade. Tem uma cama para dormir, um banho para tomar, tem pessoas para conversar e profissionais para ajudar. Você já não está mais na rua”, afirma.
A partir do acolhimento, José Carlos passou a receber acompanhamento técnico, apoio para emissão de documentos, elaboração de currículo e encaminhamento para oportunidades de trabalho. Pouco tempo depois, surgiu a chance de integrar a equipe da própria Secretaria Municipal de Assistência Social.
“Começaram a fazer currículos, a procurar oportunidades. Quando surgiu essa vaga, eu abracei. Gostaram do meu trabalho e estou aqui até hoje. Sou muito agradecido por tudo que aconteceu”, diz ele, citando que trabalhar na Smas tem um significado especial.
“A Assistência Social sempre foi uma família para mim. Desde a época em que eu frequentava o Centro Pop, sempre fui tratado com respeito. Hoje poder trabalhar aqui tem um valor muito grande. É uma forma de mostrar que é possível recomeçar.”
Futuro
A rotina de trabalho também trouxe novos objetivos. Aos poucos, José Carlos já está comprando seus pertences e se organizando financeiramente para alugar sua própria casa.
“Estou fazendo tudo com calma, no tempo certo. Já estou comprando minhas coisas devagar e me preparando para ter meu cantinho. O importante é continuar fazendo as coisas certas e seguir em frente”, afirma.
A subsecretária municipal de Assistência Social, Larissa Garcez, destaca que histórias como a de José Carlos representam o verdadeiro papel da política pública de assistência social.
“Nosso trabalho vai muito além do acolhimento emergencial. A assistência social atua para garantir proteção, reconstrução de vínculos, acesso a direitos e novas oportunidades. A trajetória do José Carlos demonstra a importância de uma rede de apoio estruturada e do acompanhamento realizado pelas equipes. Hoje, ele é um exemplo de superação e mostra que, com acolhimento, dignidade e oportunidade, é possível recomeçar, é querido por todos na secretaria e sempre acolhe as orientações das equipes que ainda o acompanham”, afirma Larissa.
Para José Carlos, a palavra que resume sua trajetória é gratidão.
“Eu agradeço a Deus todos os dias. Hoje tenho esperança de novo, tenho trabalho, tenho planos e sigo construindo meu futuro. Isso não tem preço.”
Fotos: Clara Preta – Smas.
Secom/PMVR
