Atendimento utiliza música, instrumentos, brincadeiras e recursos lúdicos para fortalecer habilidades

Nesta terça-feira, 15 de setembro, é celebrado o Dia do Musicoterapeuta. Em Volta Redonda, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio do projeto Laço Azul, oferece tratamento de musicoterapia para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições do neurodesenvolvimento. Atualmente, 376 crianças são atendidas pelo projeto, sendo que 29 delas fazem acompanhamento por meio da musicoterapia.

A iniciativa utiliza a música e seus diferentes elementos como recursos terapêuticos para estimular habilidades de comunicação, interação social, expressão e desenvolvimento global dos pacientes. Durante as sessões, as crianças são convidadas a explorar instrumentos musicais, sons, cores, formas geométricas, brinquedos e diferentes possibilidades de criação.

A proposta é transformar o ambiente terapêutico em um espaço acolhedor e seguro, no qual cada criança possa se expressar de acordo com suas características, interesses e possibilidades. Para a musicoterapeuta do Laço Azul, Josiane Vilela, o estabelecimento de um vínculo de confiança é uma das primeiras etapas do trabalho.

“Na musicoterapia buscamos um ambiente acolhedor, com segurança no setting musical. Buscamos criar vínculo e estabelecer esse primeiro contato, seja com a família ou com o paciente. A partir daí, no desenvolvimento das funções, podemos observar diferentes avanços”, explicou.

Segundo a profissional, o trabalho desenvolvido no Laço Azul tem como objetivos estimular a comunicação, o brincar social e a interação, além de despertar o interesse das crianças pelos instrumentos musicais de maneira lúdica. As atividades podem trabalhar, por exemplo, a troca de turnos - habilidade relacionada a esperar a vez -, a participação em atividades coletivas, a realização de propostas em conjunto com outras crianças e a capacidade de completar frases.

Música como ferramenta terapêutica

No atendimento, a música é utilizada de forma integrada a jogos, brincadeiras e outros recursos que favorecem a participação da criança. Em vez de priorizar o ensino tradicional de notas musicais, o trabalho pode utilizar cores, formas geométricas, brinquedos e diferentes estímulos para tornar as atividades mais acessíveis e atrativas.

“A musicoterapia é um tratamento terapêutico. Nela, as crianças têm a possibilidade de se expressar através da sua musicalidade. Respeitamos o estilo musical do paciente, aquilo que ele gosta de ouvir, de cantar e de tocar, e também apresentamos novos estilos musicais”, afirmou Josiane.

A musicoterapeuta destaca que a abordagem é diferente da educação musical e da musicalização. Enquanto a educação musical tem como foco o aprendizado e o desenvolvimento de conhecimentos musicais, a musicoterapia utiliza a música como ferramenta para alcançar objetivos terapêuticos.

“A musicoterapia é muito além de aprender a tocar um instrumento, que está voltado para a área da educação musical. Também vai além de apenas trabalhar ritmos por meio de instrumentos diferentes, algo muito utilizado na musicalização. Na musicoterapia utilizamos técnicas e jogos e, principalmente na musicoterapia plurimodal, trabalhamos não apenas com instrumentos musicais, mas também com brinquedos, sejam eles sonoros ou não”, explicou.

“A musicoterapia é mais uma importante ferramenta de cuidado oferecida pelo Laço Azul às nossas crianças. Por meio da música, do brincar e de atividades lúdicas, conseguimos criar novas possibilidades de comunicação, interação e expressão, sempre respeitando as características e o tempo de cada paciente. Nosso objetivo é oferecer um atendimento humanizado, acolhedor e que contribua para o desenvolvimento das crianças e para a qualidade de vida de suas famílias”, destacou a secretária municipal de Saúde, Márcia Cury.

Fotos de Cris Oliveira – Secom/PMVR.

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