Procedimento que era realizado apenas na capital do estado aconteceu nesta quarta-feira; primeiro paciente foi jovem de 19 anos

 

Feito inédito para o Sul Fluminense, a primeira cirurgia ortognática da região por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) foi realizada nessa quarta-feira (1º) no Hospital São João Batista (HSJB), em Volta Redonda. O procedimento cirúrgico pioneiro foi realizado em um jovem de 19 anos. A equipe responsável foi comandada pelo cirurgião-bucomaxilofacial Felipe Condé, doutor em Técnicas Operatórias, e pelo médico Edivan de Paula, que colaborou como primeiro assistente.

A cirurgia, que é destinada ao tratamento de deformidades dentofaciais (relativas aos ossos da face), até então era realizada em Volta Redonda apenas em unidades hospitalares privadas, seja por meio de planos de saúde ou de forma particular.

Felipe Condé conta que o foco principal do Serviço de Cirurgia Bucomaxilofacial do HSJB, do qual é o coordenador, sempre foi o atendimento ao paciente com fratura faciais, uma vez que a unidade é um hospital de emergência. “Porém, com o apoio da nova direção do Hospital São João Batista, desse novo governo, começamos a partir de hoje (quarta-feira) a tratar pacientes com deformidades dentofaciais, que acometem não só indivíduos jovens, mas adultos também”, afirmou.

O cirurgião explicou, ainda, que esse tipo de deformidade costuma ser de causa congênita, mas também pode surgir por causas adquiridas. “Realizamos a cirurgia nesse jovem, que já vinha à procura dela há muito tempo pelo SUS, e a direção do hospital nos deu essa oportunidade maravilhosa de começar a realizar as cirurgias pelo Sistema Único de Saúde. É uma novidade que vai beneficiar diversos usuários que não têm condições de fazer esse tipo de procedimento, que só era realizado de forma particular ou pelo plano de saúde”, comemora.

Felipe ressalta que a cirurgia ortognática era realizada no estado do Rio apenas no Into (Instituto de Traumatologia e Ortopedia), na capital fluminense, que era até então a referência para o encaminhamento dos pacientes. “Mas a partir de agora realizaremos essas cirurgias aqui em Volta Redonda, graças ao apoio da direção do hospital e da prefeitura”.

 

Sonho Realizado

 

Mãe do paciente que passou pela cirurgia, a dona de casa Carla de Oliveira Souza, de 40 anos, agradeceu à prefeitura, ao SUS, ao doutor Felipe Condé e a Deus pela realização do procedimento. “Sem eles não teríamos conseguido, estávamos aguardando há quase dez anos por essa cirurgia. Meu filho sofreu muito bullying por causa de seu problema na face, sentia muita falta de ar, mal-estar, e hoje foi a realização de um sonho, pois meu filho vai ter a autoestima renovada. Recebo como um presente a cirurgia do meu filho, e essa porta foi aberta para que outras pessoas sejam presenteadas também”.

 

Procedimento complexo

 

Os avanços nas cirurgias, tratamentos e procedimentos ortodônticos permitem que pessoas com deformidades dentofaciais congênitas – ou que sofreram traumas faciais com fraturas complexas dos maxilares – possam ter uma expressiva melhoria na qualidade de vida, seja na parte da saúde quanto ao que se refere à autoestima. Um desses progressos é justamente a cirurgia ortognática pela qual passou o jovem de 19 anos nessa quarta-feira, uma das etapas pelas quais ele passou.

Antes do procedimento cirúrgico, é preciso que o paciente faça o alinhamento e nivele os dentes nas arcadas por meio de um tratamento ortodôntico. O passo seguinte, em que são tratadas as deformidades facial e dentária, é uma série de osteotomias na face. Já o planejamento cirúrgico e feito digitalmente e inclui todas as informações ósseas e dentais do paciente. É dessa forma que a equipe responsável pela cirurgia ortognática consegue fazer a simulação e planejamento cirúrgico por meio do computador, visando uma maior precisão do procedimento.

Todo esse cuidado é necessário devido à complexidade da cirurgia, que envolve três seguimentos da face: a maxila, a mandíbula e o mento (parte inferior do rosto, abaixo dos lábios). Durante o procedimento, os profissionais médicos cortam os ossos por meio de ponteiras ultrassônicas, separando-os da face; em seguida, eles voltam a ser fixados, desta vez na posição correta e anatômica.

Com o fim da cirurgia, o paciente permanece na instituição hospitalar por um prazo que vai de 24h a 48h. Após a alta, ele passa a ser acompanhado semanalmente, por dois meses, pelo cirurgião-bucomaxilofacial, sendo encaminhado posteriormente a um ortodontista, responsável pelos refinamentos ortodônticos até a alta definitiva.

O cirurgião Felipe Condé explicou antes da realização da cirurgia que as pessoas com deformidades dentofaciais apresentam alterações no crescimento ósseo dos maxilares, o que resulta em alterações no encaixe dos dentes que não podem ser resolvidos apenas com o uso de aparelhos ortodônticos.

“A cirurgia ortognática é fundamental para o sucesso do tratamento e a reabilitação funcional e estética do paciente. Após a cirurgia, o paciente tem suas funções restauradas e passa a falar, sorrir, mastigar e respirar adequadamente. Além disso, após o procedimento o paciente fica com a face harmônica, anatomicamente com os ossos na posição correta, e esteticamente com o perfil bem agradável”, explicou.

 

Foto: Cris Oliveira – Secom/PMVR.

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